O que te motiva?
- ALEX RAMOS

- 17 de mar. de 2020
- 3 min de leitura

O que te motiva? Você já se questionou sobre isso?
Quando estamos motivados, melhoramos o trabalho e o pessoal. Mas como podemos nos motivar e ajudar aos outros a se motivarem se nem ao menos sabemos o que nos motiva? Por isso,
Ativar nossas habilidades e fazer aquilo que nos apaixona é mesmo um super drive para motivação, tanto na instância profissional como na pessoal.
Na Grécia antiga já se sabia disso muito bem, tanto que os gregos dividiam o trabalho em 2 categorias, conhecidas como Erga e Douléia.
Por Douléia entendiam o trabalho que visa a subsistência. Incluindo no conceito tarefas diárias e indispensáveis, como os cuidados com a saúde, higiene pessoal, alimentação, etc…
Por Erga eram conhecidos os trabalhos voltados para criação, reflexão, desenvolvimento dos talentos, realização de projetos pessoais, busca da arte em lato sensu. Enfim, Erga era o trabalho que não visava subsistência ou lucro, e sim o aprimoramento humano e a busca da excelência através do desenvolvimento das habilidades de cada um.
Os gregos reconheciam que para o exercício da Erga o tempo era um aliado, pois nenhum talento ou obra poderiam ser desenvolvidos com pressa – o que se buscava era a perfeição que “tocasse o divino”. Esse tempo destinado para investigar talentos e capacidades, era chamado de “ócio criador”.
Erga portanto, era o trabalho reservado para a elevação e desenvolvimento do ser. (Bacana lembrar que as palavras erguer e ergonomia, tão usadas nos dias de hoje, tem a mesma raíz de Erga.
E o que toda essa filosofia tem a ver com a nossa realidade?
O interessante é que mais de 2000 anos atrás, os gregos dividiram o conceito de “trabalho” justamente para dissociar a fonte de sustento do desenvolvimento pessoal. Se o cidadão conseguisse executar a Erga e a Douléia juntas, ótimo. Mas essa não era uma obrigação. O importante era dedicar parte do tempo para a Erga, mesmo que apenas nas horas “vagas”.
Acho que esse é um grande insight para os dias de hoje. Muita gente tem se preocupado por não encontrar o “trabalho dos sonhos”, ou não praticar profissionalmente aquilo que tem paixão em fazer. Se esse é o seu caso, calma! Não adianta pressionar demais e você não está sozinho. Tem muita gente em transição buscando viver daquilo que ama. Enquanto o cenário ideal não desenrola, o melhor é buscar exercer suas paixões no seu tempo livre. Isso preenche, ilumina, entusiasma. Com o tempo, aquilo que era um hobby pode virar sua atividade principal.
E se você perceber que aquilo que te apaixona deixa de ser tão apaixonante assim quando vira negócio, ok também! Aliás, só pra colocar mais lenha na fogueira, a palavra “negócio” vem do latim “negar o ócio”. Se o ócio é ligado à Erga, dá pra dizer também que Erga e negócio podem não ter assim tanta afinidade… mas, pode ser só uma conversa de grego…rs.
Pra muita gente, deixar a Erga e a Douléia separadas pode evitar a frustração. Nem todos nascemos para exercê-las ao mesmo tempo. Alguém que tenha como paixão cozinhar, pode sentir-se totalmente frustrado ao trabalhar como um chef. Simplesmente, pois nem todos os amantes da gastronomia tem vocação para exercício do ofício. Mas nunca se exercitar com as panelas e múltiplos temperos, isso sim pode ser cruel! Trancar nossas habilidades na “gaveta” não nos ajuda em nosso desenvolvimento e certamente diminui nossa motivação.
Usar nossos talentos e fazer aquilo o que amamos nos preenche de uma energia que os próprios gregos batizaram de entusiasmo (en + theos) – quando temos a “luz divina” dentro de nós. E o entusiasmo é um estado de pura motivação
Ainda falando dos gregos, eles acreditavam não somente que aqueles que desenvolvem seus talentos e habilidades eram mais entusiasmados e motivados que os demais, como achavam que os mesmos eram mais saudáveis. Associavam diretamente a saúde com o exercício das paixões. Então fica a dica para que possamos exercer nossa Erga e Douléia, juntas ou separadas. Esquecer a Erga… jamais!
Por Luah Galvão
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Forte abraço.
Alex Ramos




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